Filosofia mascarada

pelos efeitos especiais

 

            Quem pensa que Matrix é mais uma daquelas produções que priorizam as cenas de ação, deixando um pouco a desejar no enredo, engana-se completamente. A trama, repleta de símbolos e citações, gira o tempo todo em torno de um questionamento que motiva os personagens a seguirem sua trajetória.

O mito do herói grego, por exemplo, aparece na figura de Keanu Reeves, que encara um protagonista possuidor de duas identidades: Thomas Anderson, funcionário de uma conceituada empresa de informática e Neo, hacker procurado pelas autoridades federais. "O que é Matrix?" É essa questão que leva o herói a iniciar seu processo de "catástrofe", assumindo uma das identidade na busca pela resposta da pergunta que o motiva.

Neo (cujo nome é uma referência à expressão inglesa "the one", o escolhido) encontra Trinity (Carrie-Anne Moss) e Morpheus (Laurence Fishburne) – Morfeu é o deus do sonho na mitologia grega. Eles o levam para uma outra dimensão e explicam o que acontece. Matrix é um computador que faz da vida das pessoas uma simulação. Para se manter, o software usa a energia dos próprios seres humanos, ou seja, o homem passa a ser uma "pilha" do sistema criado por ele próprio.

Tendo como cenário o mundo dominado pelas máquinas, a utilização da estética do computador ajuda a inserir o espectador na proposta. Matrix é uma ficção científica com efeitos especiais inovadores. Apesar do fundamento de algumas seqüências ser relativamente simples, a direção dos irmãos Wachonski (Lary e Andy) as tornam incríveis. No entanto, acho que verdadeiro responsável pelo sucesso da produção é o fato de que os efeitos especiais estão a serviço do roteiro, e não o contrário.

 

Isabelle Saleme

2002.1