Uma luta para todos
A decisão da juíza substituta da 16a Vara Cível da Justiça Federal em São Paulo, Carla Abrantkoski Rister, de acabar com a obrigatoriedade do diploma para jornalistas – afirmando que o artigo quinto, parágrafo nono da Constituição Federal destaca que ‘é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença’ – é mais um exemplo do poder dos grandes empresários brasileiros da comunicação.
Dono de uma responsabilidade muito grande, é o jornalista que leva informação para as pessoas. Assim, à medida que ele mostra os fatos ocorridos no mundo, ajuda no processo de criação de uma maior consciência crítica social, fazendo com que a população comece a pensar a respeito de diversos assuntos.
Somente por um interesse mercadológico, pode-se pensar a possibilidade de permitir que profissionais sem nenhum tipo de qualificação exerçam uma função tão importante para a sociedade. Percebe-se que a liminar é vantajosa somente para os donos de jornal, já que a abertura do mercado de trabalho aumenta a quantidade de profissionais que procuram por um emprego e acaba acarretando na diminuição da remuneração dos jornalistas.
Apesar da necessidade de uma formação com muito boas bases para exercer a profissão em questão, a desvalorização da classe está sendo impiedosa. Desta forma, uma luta deverá ser travada não só pelo jornalista, mas também por toda a população; pois ela é sempre a maior prejudicada nos casos de incompetência na mídia.
Isabelle Saleme
2002.1