Autoridade do humor
ELIEZER MOTTA CONTA SUA TRAJETÓRIA: DA EXPERIÊNCIA COMO POLICIAL
ATÉ O APRENDIZADO COM OS MAIORES HUMORISTAS DO BRASIL

Com mais de 30 anos de carreira, o sucesso não veio facilmente para o humorista Eliezer Motta. Embora sua primeira experiência como ator tenha sido ainda no Jardim de Infância, com a peça “O Patinho Feio”, num momento difícil de sua vida, quando precisou arrumar um emprego formal, resolveu prestar concurso público para detetive e começou sua carreira policial.
Os cursos de teatro, que fez até se tornar profissional, e as atuações em festas no Clube Ipiranga e no colégio dividiam tempo de Eliezer com os estudos e com o trabalho. Por começar a trabalhar aos 11 anos e com 14 já ter sua carteira de trabalho assinada, o sonho do interprete do Patinho Feio, que não precisava de maquiagem para entrar em cena, quase foi deixado de lado para seguir a carreira policial, da qual se orgulhava muito, pois na época que exercia a profissão a polícia era muito mais valorizada do que hoje.
A chegada do detetive à televisão foi por acaso. Ele foi assistir a um ensaio, convidado por um amigo, quando Maurício Sherman, diretor da Rede Globo de Televisão, o confundiu com um figurante, devido ao seu porte físico. Eliezer acabou ganhando o papel e recebendo um convite para trabalhar no programa de Jô Soares, com quem diz ter aprendido, nos 19 anos que permaneceram juntos, o “pouco” que sabe sobre humor. Depois, trabalhou por 6 anos com Chico Anysio, que, segundo ele, tem um estilo sutil e inteligente. Atualmente, com um trabalho mais inocente, voltado para crianças, está com Renato Aragão, na “Turma do Didi”, fazendo o “Babá”. Além disso, percorre o Brasil com seu show “Agora sou eu!”, no qual usa como base a sua história de vida para fazer humor, contando piadas, imitando personalidades como Erasmo Carlos e Cauby Peixoto, e interpretando seus principais personagens, inclusive o seu carro-chefe, o “Batista”.
Depois de tantos anos na área, indagado sobre o tipo de humor que prefere, ele responde:
- Não importa o tipo, tem é que ser engraçado, bem feito. Se for criticar, tem que saber como. A mesma coisa acontece com o infantil, criança não é idiota. Qualquer que seja o tipo de humor, tem que ser bem feito, engraçado. Isso é o que importa, revelou.
Ao analisar mais criticamente a trajetória da televisão brasileira, Eliezer acha que houve uma piora, visto que, na atualidade, o meio anda muito voltado para a apelação:
- Embora não seja a favor da censura, acho que tem que haver um limite. As pessoas não sabem até onde podem ir e acabam extrapolando. Acho que a televisão tem sido muito apelativa, incentivando a violência, o sexo e coisas prejudiciais para as crianças, criticou.
Apesar da crítica, prefere o trabalho na TV. Mesmo já tendo feito cinema, em filmes como “Orfeu”, “Ed Mort” e muitos outros, junto com “Os Trapalhões”, ele acha que a indústria cinematográfica demorou muito para se desenvolver no país por uma questão cultural e econômica, mas tem melhorado muito nos últimos anos.
Por ser um artista experiente, Eliezer diz que o mais importante para alguém que deseja ingressar na carreira é o talento, além da sorte:
- Quando uma pessoa tem talento, consegue aproveitar todas oportunidades. Porém, quando tem o “QI” ("quem indica") mas falta o talento, o que acontece é que faz uma novela e não consegue mais nada. Só mantém o sucesso quem é realmente bom, disse.
Isabelle Saleme Fernandes
2000.2